Trajectória da minha vida

Ana Almeida

O meu nome é Ana Almeida. Nasci em Coimbra no dia 06 de Outubro no ano de 1985 na maternidade Bissaya Barreto, perto de uma das zonas mais chiques de Coimbra: Celas.

Sou natural de Coimbra concelho de Condeixa-a-Nova.

A minha primeira morada foi em Fornos-de-Castel (Condeixa-a-Nova), numa casa pequenina onde só tínhamos dois quartos, uma sala uma cozinha, uma casa de banho e um pátio, na parte de trás da casa, onde eu brincava.





(Fig.1: A minha 1º casa)




Pelo que me conta a minha mãe, sempre fui uma menina muito activa. Fazia todo o tipo de travessuras e dava com a minha mãe em doida. O meu pai, na altura, era vendedor, e a minha mãe trabalhava numa fábrica.

O sítio onde morei não era uma cidade mas já era bem evoluído. Estava próximo do centro de Condeixa e tínhamos tudo o que necessitávamos muito perto. Logo, a mentalidade das pessoas não era tão retrógrada.

Não éramos uma família muito afortunada e, por vezes, tinha de se esticar um pouco o dinheiro. A minha mãe não podia pagar a um infantário mas havia uma senhora que por meia dúzia de escudos ficava com os vários filhos dos vizinhos.

Recordo-me, devia ter uns 3 anos que já fugia à minha mãe pelas terras de milho que havia na parte de trás da minha casa para ir comer bolachas.

Fugia para casa da “Talala”. Este foi o nome que dei a Natália, senhora já com certa idade e que tinha um frasco em forma de porco, sempre cheio de bolachas à minha espera. Estava colocado, estrategicamente, em cima de uma mesa baixinha para eu as surripiar.

Desta fase e até aos meus 3, 4 anos não tenho mais recordações.

A fase seguinte que me surge na memória já se passa noutro cenário. Este em Cernache (dos alhos). Sei que morei naquela casa, dita assombrada cerca de 6 anos. Era uma casa moinho que em tempos fabricara farinha. Diziam que, de noite se ouviam barulhos e que era o espírito do senhor que se tinha enforcado nos currais. Quando fui para lá morar ainda se podia ver a corda utilizada no suicídio, mas certo é que, ruídos, só os dos ratos que habitavam aquele espaço. Existiam imensos devido a um riacho que passava por baixo da casa. O mesmo riacho que fazia mover as mós para fazer a farinha.






(Fig.2: A minha casa do moinho)



Nesta época ouve um episódio na minha vida que me marcou bastante. Um dia, à noite, perguntei pelo meu pai e a minha mãe, para não me magoar e para eu conseguir aceitar a situação, disse-me: “Ele teve de ir para longe amor, e vai demorar a voltar, mas não te preocupes porque ele ama-te muito e todos os dias se vai lembrar de ti”. Isto foi dito com os olhos cheios de lágrimas e uma amargura imensa no rosto.

Enquanto se mentalizava a si própria ia-me tentando explicar o que realmente se tinha passado.

É complicado dizer a uma criança de 5 anos que tinha acabado de entrar para a escola que o seu pai tinha sido preso e que só ia poder vê-lo 1 vez por semana e durante uns minutos.

Não tenho a noção do quanto sofri mas fui forte, e apenas com 5 anos sei que apoiei a minha mãe e me esforcei para ser uma boa filha.

Nesta altura aprendi tudo sobre a lida da casa e adorava ir à escola. Adorava “ir” porque estudar não era coisa que me chamasse muito a atenção.



Percurso escolar



Estudei na escola primária E.B 1 de Cernache que ficava a 15 minutos de minha casa. Era uma escola pequena, com apenas 2 salas que funcionavam de manhã e de tarde. Eu tinha aulas de manhã e, à tarde, ia para o A.T.L onde fazia os trabalhos de casa e brincava.


(Fig.3: Escola primaria EB.1 Cernache)



Os amigos que eu tinha na escola, eram praticamente todos, os mesmos que tinha no A.T.L. Ainda hoje conservo muitos deles. São amigos que irão durar toda a vida e que, apesar de por vezes estarmos muito tempo sem falar, sei que não vão ficar esquecidos.

Nessa época também perdi a minha avó. Era muito importante para mim. Hoje tenho poucas recordações dela na minha memória mas tenho noção de quanta falta me fez depois de ter falecido.

Fiz a catequese e a primeira comunhão como todos os meninos tinham a “obrigação” de fazer.

A sociedade dessa altura, a meu ver, preocupava-se muito com o que os outros diziam e não com os seus próprios princípios. Essa foi a razão pela qual a minha mãe me “obrigou” a andar na catequese coisa que eu nunca quis.

Passei os 4 anos do ensino básico com sucesso. Apesar de o comportamento ter sido mau, o aproveitamento foi razoável.

Entrei para o primeiro ciclo, em Cernache, no C.A.I.C (Colégio Apostólico da Imaculada Conceição). Aqui iniciei a minha adolescência.




Reflecti sobre a adolescência e…




Ouvi a musica de Rui Veloso “Não há estrelas no céu”… já a tinha escutado mas nunca ouvido com a atenção merecida e visionando-a como uma narrativa do significado da adolescência.

Acho-a bastante interessante e nunca tinha a tinha ouvido desta forma.

Procurei logo a letra na internet e li com bastante atenção. Realmente ela fala-nos da adolescência da chamada “idade do armário”, e do quão é “difícil” e “problemática a vida de um adolescente.

(Letra do tema “não há estrelas no céu” autor Rui Veloso.)



“Não há estrelas no céu

A doirar o meu caminho

Por mais amigos que tenha

Sinto‑me sempre sozinho.

De que vale ter a chave

De casa para entrar,

Ter uma nota no bolso

Para cigarros e bilhar

A primavera da vida é

Bonita de viver

Tão depressa o sol brilha

Como a seguir está a chover

Para mim hoje é Janeiro

está um frio de rachar

Parece que o mundo inteiro

Se uniu para me tramar.

Passo horas no café

Sem saber para onde ir

Tudo à volta é tão feio

Só me apetece fugir.

Vejo‑me à noite ao espelho

O corpo sempre a mudar

De manhã ouço o conselho

Que o velho tem para me dar.

Vou por aí às escondidas

A espreitar às janelas

Perdido nas avenidas

E achado nas vielas.

Bem, o meu primeiro amor

Foi um trapézio sem rede,

Sai da frente por favor,

Estou entre a espada e a parede.

Não vês como isto é duro

Ser jovem não é um posto

Ter de encarar o futuro

Com borbulhas no rosto

Porque é que tudo é incerto

Não pode ser sempre assim,

Se não fosse o rock and roll

O que seria de mim.”




“Não há estrelas no céu

Depois de uma pesquisa na internet conclui que a adolescência é uma das várias etapas de desenvolvimento humano.

Esta é a etapa do desenvolvimento, que ocorre desde a puberdade até a idade adulta. Caracteriza-se por alterações físicas, psíquicas, e sociais, podendo estas duas ultimas ter significados diferentes dependendo da época e da cultura na qual o individuo está inserido.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, adolescente é o indivíduo que se encontra entre os dez e vinte anos de idade.

Actualmente, o conceito mais aceite é o de que não existe adolescência, e sim adolescências em função da sociedade, da política, do momento e do contexto onde se insere o adolescente.

Nesta musica também esta inserida a ideia da “idade do armário”.


Na adolescência temos uma constante descoberta de características e definições de nos próprios e assim surgem os “porquês?”.

(idade do armário)



É nesta idade que surgem as crises existenciais.

As meninas começam com as paranóias das dietas e com a procura constante da perfeição. Eu fui um exemplo disso quase que arranjei problemas de saúde por causa da alimentação.

As mudanças são muito rápidas. E nem tudo é bom e fácil. O crescimento acelerado de algumas partes corpo, as borbulhas, a anorexia nervosa, o ter vergonha de si próprio, os conflitos com a família, etc.

Resumindo a adolescência pode ser vista como uma fase “difícil”. Não o é mas para alguns jovens que se encontram nessa fase tem bastante dificuldade em ultrapassa-la.

A ideia da elaboração do portfólio, termos de elaborar este dossier, é uma boa forma de nos conhecer a nos próprios.

É bom pensarmos que falar dos outros é fácil mas quando chega a altura de falarmos de nos próprios, as coisas já são mais complicadas…


(C.A.I.C)




Voltando ao texto e com referencia o C.A.I.C, este trata-se de um colégio semipúblico pertencente a uma companhia de jesuíta. O C.A.I.C sempre foi muito bem conceituado no que diz respeito ao nível de educação.

Tínhamos religião e moral. Todas as semanas havia missa e inúmeras actividades extra-curriculares oferecidas pelo colégio. Posso dizer que tive um nível educacional bastante bom.

Nesta altura mudei de residência, fui para Condeixa-a-Nova.

Recordo-me que tanto no tempo da primária, como no C.A.I.C tive sempre muitas alergias, principalmente na altura da Primavera. A escola EB1 e o C.A.I.C, têm várias árvores, de varias espécies em seu redor, e desconfio que estas alergias se deviam ao pólen que as árvores soltam.

Frequentei o colégio durante 6 anos. Foi nesta altura que fiz os meus verdadeiros amigos, alguns deles vindos já da escola e do ATL.

O colégio na minha opinião sempre teve, e tem uma coisa muito boa que é o facto de dentro daquela instituição todos funcionarem como uma família. Todos nos dávamo-nos bem, uns melhor que outros mas, no fundo toda a gente se conhecia e toda a gente comunicava entre si e se entre ajudava.

Nesta altura também tirei um mini - curso de informática (A1) aplicado à óptica do utilizador. O meu pai já pagou quase 100 mil escudos (ainda era o escudo na altura) pelo curso.

No 9º ano tínhamos de decidir qual a área a seguir no secundário, decisão que eu julgo ser tomada muito cedo. Frequentei aulas de orientação vocacional para ter uma pequena ideia sobre o que poderia querer seguir e também neste mesmo ano participei num curso de pequena duração (32h) sobre a indústria (A2).

Eu queria ir estudar para Coimbra e a única maneira que arranjei para convencer os meus pais foi escolhendo um agrupamento que não existisse em Cernache. Foi a um dos maiores erros que cometi na minha vida, mas…

Entrei para o agrupamento 2 Artes na Escola Secundaria Avelar Brotero.



(E.S.A.B)

O que eu queria era conhecer pessoas novas, fazer novas amizades, ver aquele mundo tão diferente do de Cernache.

Em Coimbra podíamos ir almoçar ao Mac Donald’s, ir ao centro comercial às compras, faltar as aulas. Isso, nessa idade, é que era importante!

Está mais que visto que foi o maior erro que cometi.

Comecei a deixar matéria para trás porque faltava muito às aulas. Quando ia não prestava atenção e as coisas descarrilaram.

Para além de todo o mal que esta mudança causou na minha vida, também o meu corpo sofreu com isso. Nunca fui uma menina de fazer grande exercício e com tantas refeições plásticas (Mac) acabei por engordar imenso. Isso em parte prejudicou a minha saúde e afectou a parte psicológica, e como todos, sabemos as meninas com 15 anos têm todo o tipo de complexos possíveis e imaginários com o corpo. Eu não queria engordar mas ao mesmo tempo, queria continuar a comer todas aquelas porcarias.

Acabei por passar para o 11º ano com disciplinas em atraso e, nesse mesmo ano desisti de estudar.

Agora ansiava por trabalhar e ganhar dinheiro para comprar as minhas coisas.

Percurso profissional

Comecei a trabalhar ainda com 17 anos, no mês de Junho de 2003.

O meu primeiro emprego foi de empregada de balcão na pastelaria “O Bom Forno”, situada na urbanização Nova Conímbriga em Condeixa.

Neste estabelecimento o meu papel era fundamentalmente atender os clientes, tratar da manutenção do estabelecimento (limpeza) e, por vezes, fazer o pagamento das despesas dos clientes.

Nesta nova fase da minha vida tive de assumir outro tipo de responsabilidade. Tinha de abrir a pastelaria, todos os dias, de manhã às 7.30h ou então vir substituir a minha colega as 2.30h da tarde.

Nessa altura recordo-me que, como morava a 5 minutos da pastelaria gostava de fazer o horário da manhã, pois assim ficava com a tarde livre para tratar das minhas outras coisas. Uma vez que as minhas colegas eram de longe e não gostavam de ter de se levantar tão cedo combinamos que eu faria quase todas as manhãs.

Foi um óptimo acordo para mim.

Dentro da pastelaria tentávamos também organizar o trabalho de forma justa, tanto no atendimento ao público como na confecção do pão. Fazíamos as tarefas rotativamente e de forma que todas fizéssemos um pouco de tudo.

Tive de aprender a trabalhar com máquinas com as quais nunca tinha trabalhado. Eram me completamente estranhas a de tirar cafés, os fornos de cozer pão, a máquina registadora, etc. … Esta última era, sem dúvida, a que me gerava mais confusão, porque era um pouco antiga e tinha de ser tudo registado manualmente. Além disso sabia que sempre que fizesse um pagamento e se me enganasse a registá-lo ou a dar o troco ao cliente a responsabilidade era minha e teria de pôr o dinheiro que faltasse. Nunca gostei muito de o fazer. Então, sempre que a minha patroa estava por perto pedia-lhe que o fizesse.

Nas máquinas do pão, os fornos, tinha-mos de os ligar para aquecerem. Controlar a temperatura para que assim que, se, encontra-se bem quente colocarmos tabuleiros com bolinhas de massa ainda crua lá dentro. O pão, dependendo da sua qualidade, demorava um certo tempo a cozer. Assim que estivesse no ponto tínhamos de o retirar do forno e colocar em cestos para a venda ao público.

Não era fácil, tínhamos controlar os fornos e ao mesmo tempo atender os clientes na pastelaria. Devido a isto aconteciam fatalidades como por exemplo, fornadas de pão totalmente queimado.

Comecei assim pela 1º vez a receber um ordenado.

Os meus pais nunca me pediram que desse algum para a casa como faziam muito jovens na altura, mas eu no que pudesse ajudava.

Comecei a comprar as coisas de que necessitava, tais como, roupa, calçado, produtos de higiene, etc. Comprar também o passe de autocarro, e a pagar as minhas despesas de alimentação enquanto estava no trabalho.

Resumindo, tinha de todos os meses fazer um mini orçamento para que o dinheiro desse para as minhas despesas e para os meus extras.

Normalmente no inicio do mês, punha logo de parte dinheiro para o passe que tinha de ser comprado logo no dia 1, comprava algumas coisas no super-mercado, via se precisava de alguma roupa ou calçado e depois o resto era para os meus extras… que por sinal eram bastantes. Nunca consegui chegar ao fim do mês com dinheiro.

Estive neste emprego cerca de um ano. Quando comecei a perceber que poderia ir ganhar mais, ter um horário bem mais flexível, e estar a par dos direitos e deveres dos trabalhadores entendi então que estava a ser “explorada”.

Perante a lei qualquer trabalhador que trabalhe 5 dias seguidos com carga horária de 8h, tem direito a 2 dias de descanso. Também o direito a um fim-de-semana por mes. Esta lei que não era aplicada na pastelaria, talvez por não termos funcionários suficientes.

No verão de 2004 soube-se que iria abrir um Intermarché em Condeixa então aprecei-me, juntamente com umas amigas a inscrevermo-nos para formar a equipa que eles pretendiam.

Fomos quase todas seleccionadas. Dois meses depois estava contratada por 3 meses na filial Intermarché de Condeixa.

Quando iniciamos a actividade formamos equipas e tentamos entre todos, perceber quais seriam os melhores postos para cada um a ocupar.

Tinha-nos sido destinada uma função pela entidade patronal, mas chega-mos a conclusão que teriam de haver ajustes. Muita gente não se sentia a vontade com o cargo que ocupava. Eu tinha a função de caixeira.

Passava o dia de pé a mexer em dinheiro. As caixas registadoras já eram um pouco mais sofisticadas, e tornava-se muito mais fácil trabalhar com elas. Eram semi-digitais, os talões eram impressos sem termos de dar ordem. Notei ali uma evolução a nível tecnológico, as máquinas evoluem em função das pessoas tornando o trabalho mais rápido e eficaz, quase sem margem de erro. A nível psicológico o trabalho, assim torna-se muito menos cansativo.

Apesar desta melhoria, não gostei da experiencia sou sincera. No fim do contrato decidi que não queria continuar mais com aquela profissão e procurei novamente trabalho.

Como tinha experiencia de atendimento ao público e boa apresentação, não foi difícil, ser logo chamada para algumas lojas.

Fui chamada para trabalhar na “Rulys”. Esta foi a loja que mais me agradou.



(Rulys)


Na altura ainda me deslocava de autocarro. Este parava mesmo em frente a loja. Era um horário muito bom de segunda-feira a sábado com uma folga semanal e uma fixa ao domingo.

As minhas funções agora não era muito diferentes dos outros sítios em que trabalhei, resumidamente tinha de atender o cliente.

No inicio o ambiente era agradável mas meses depois as coisas mudaram entre algumas colegas. O mau ambiente já existia, eu não tinha era dado por isso.

Em Outubro de 2005 sofri um grave acidente e tive de ficar meio com de baixa médica em casa. Na altura parti a perna em dois sítios e tive de levar material e parafusos.

Quando voltei ao trabalho tinha muita dificuldade em ficar 8 horas de pé, e meses depois tive de voltar a ficar em casa.

Nesta altura tomei conhecimento que se existir seguradoras envolvidas no facto de estarmos de baixa em casa não temos direito a baixa médica, no máximo e se a segurança social assim o entender temos direito a umas prestações compensatórias que mais tarde serão cobrados a seguradora que ficar responsabilizada pelo acidente.

Não tinha grandes prestações mas tinha as minhas coisinhas para pagar e não queria que a minha mãe acarreta-se com as despesas.

Não voltei ao trabalho depois desta baixa.

Decidi então procurar um emprego que não me prejudica-se o meu estado de saúde e que desse para conciliar com os estudos a noite.

Fiz o meu primeiro currículo vitae (A3) a sério que tenho vindo a alterar ao longo do tempo. Decidi novamente agarrar-me aos estudos.

Nesta altura já tinha carta de condução.

Em Janeiro de 2007 comecei a trabalhar na Girândola no centro comercial “Dolce Vita” em Coimbra.



(Girandola)


Continuei no ramo logístico mas virado para os mais pequeninos.

Os horários eram, de centro comercial, o que ao inicio não me agradou mas no fim de ver bem a situação não era assim tão mau.

Na loja éramos só 5 funcionárias e os horários repartidos.

Adorei o contacto com as crianças. Era fantástico ver as mães ainda grávidas e depois acompanhar o seu nascimento e o crescimento dos bebés.

O contrato que assinei tinha a duração de um ano.

Em Março regressou ao serviço uma rapariga que estava de licença de parto.

Nesta altura o funcionamento da loja ficou diferente. Os horários já não eram iguais. Entretanto surgiu a oportunidade de tirar o 12º ano pelo CRVCC, e desisti das aulas, pois também não conseguia conciliar horários.

Neste emprego mais uma vez fiz grandes amigas.

Aprendi muitas coisas como recepcionar mercadoria. Fazer contagem de material, lidar com fechos de contas e outras responsabilidades que na “Rulys” não tinha.

Decisão que me mudou a vida…

Em Dezembro de 2006 o meu contrato findou. Como eu não tinha a certeza se me iriam mandar embora ou não pus-me novamente a procura de emprego e soube que através do desemprego que iriam colocar auxiliares de edução no agrupamento de escolas da Silva Gaio.

Decidi falar com o meu patrão, ele visto que me ia cessar contrato passou-me a carta de despedimento.

Entrei para o programa de P.O.C (programa ocupacional do centro) como auxiliar de educação na escola EB1 de Palheira.

Adorei a experiencia.

Apesar de me encontrar no desemprego sei que a minha decisão foi óptima para o meu currículo. Nestes cargos normalmente são seleccionadas pessoas que já tenham experiencia em lidar com crianças, mas apesar de não ter essa mesma experiencia fui admitida rapidamente.

As professoras são do melhor que há. São pessoas fantásticas e que fizeram com que pela 1º vez, tivesse prazer e adora-se trabalhar. Todos os empregos deviam ter o ambiente que tínhamos naquela escola e para mim todas as pessoas deviam ser um bocadinho como elas. São pessoas fantásticas sem dúvida.

Durante estes meses procurei informação a cerca da possibilidade de tirar algum curso ou formação, pois é isso que ambiciono realmente, formar-me!

Por mero acaso numa notícia, ouvi falar da escola de Sicó.

Até aquela data desconhecia completamente esta escola. Percebi que iam iniciar vários EFA’s destinados a adultos no desemprego tal como eu estava. O que mais me chamou a atenção foi o de técnico de apoio a gestão (A4).

Procurei informação sobre o mesmo e fiz logo uma pré-inscrição na internet.

As aulas na escola primária iam acabar para férias de verão no dia 20 de Junho o que quis dizer que tive de ficar para casa.

O meu contrato acabou e só voltaria para a escola se não conseguisse entrar para o curso.

Deparei-me então com uma grande contradição de vontades.

Adorava voltar para a escola mas em compensação queria muito conseguir entrar para este EFA, pois via o curso como uma oportunidade muito boa para conseguir atingir as minhas ambições.

Queria e quero tirar o 12 º ano e ingressar na faculdade.

Tenho noção que de dia para dia o nível de vida e as condições monetárias tem tendência ficar mais complicadas, e será ainda mais difícil que o que já é hoje conseguir emprego.

Não quero chegar aos meus 40 anos ser considerada quase analfabeta porque tenho simplesmente o 9º ano. Quero dar mais vida ao meu EGO, sentir que lutei por algo e se não conseguir ter um bom nível de vida, não vai ser por não ter tentado fazer nada para contornar essa situação.

Durante o tempo de espera inscrevi-me em todos os centros de formação que encontrei em Coimbra.

Fui chamada logo a partida para o centro fast-ao-estudo junto da praça da república de Coimbra.



(centro de formação)


Uma semana antes de começar o curso relacionado com técnicas de venda neste mesmo centro, fui contactada pela, professora Ana Lobo, com a proposta de um curso técnico de informática de dupla certificação na ETP Sicó em Penela.

Isto gerou uma indecisão enorme na minha cabeça, “ir para um curso ou para outro? “ esta era a questão que estava fixada na minha cabeça. Tinha 2 dias para dar uma resposta e então ponderei pós e contras. Para Coimbra os pós era muito mais e para alem disso informática tinha muito mais perspectivas de futuro.

Aceitei a entrada em Penela. Iniciei o curso a 2 de Outubro de 2007, oficialmente a 6 de Outubro pois só a esta data fiz os 23 anos necessários para o ingresso no mesmo.

Percurso de 15 meses, cheios de emoções, novas amizades e bastante empenho e trabalho…

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